Cache de prompt: 113 modelos vendem o mesmo atalho por preços 25 vezes diferentes
A leitura de cache aparece em 4 de cada 10 modelos do catálogo e a diferença entre o mais barato e o mais caro não segue a lógica do preço de saída
Você já deve ter visto o termo "cache de prompt" na fatura da API sem entender direito o que está pagando a mais. A ideia é simples: quando você repete o mesmo bloco enorme de texto em toda requisição — um system prompt de 50 páginas, uma base de conhecimento, um contrato — o provedor consegue reaproveitar o trabalho pesado da primeira leitura e cobrar menos pelos tokens que ele já processou. É como pedir para um garçom anotar seu pedido habitual em vez de ditar tudo de novo a cada visita.
O detalhe sujo é que essa economia não é padronizada. Dos 270 modelos listados no catálogo, 113 oferecem algum preço de cache explícito — ou seja, 4 em cada 10. E dentro desse recorte a diferença entre quem cobra mais barato e quem cobra mais caro não segue a lógica do preço de saída.
O caso Llama 3.3: cache que não economiza nada
O Llama 3.3 70B Instruct, da Meta, é o exemplo mais didático de cache inútil. Ele cobra US$ 0,71 por milhão de tokens de entrada, US$ 0,71 por milhão de tokens de saída e, pasme, US$ 0,71 por milhão de tokens em cache. É o mesmo valor nos três campos. A leitura de cache existe no catálogo, mas não traz desconto. Para quem repete prompts grandes, não há incentivo nenhum em relação a simplesmente enviar o texto de novo.
Onde o cache de fato vale a pena
No outro extremo, dois modelos empatam no piso do recorte: o GPT-OSS 20B, da OpenAI, e o Claude 3 Haiku, da Anthropic, ambos com cache a US$ 0,03 por milhão de tokens. Mas eles chegam lá por motivos opostos.
O GPT-OSS 20B é um modelo aberto de 21 bilhões de parâmetros (3,6 bilhões ativos por passada) que custa US$ 0,03 de entrada, US$ 0,13 de saída e US$ 0,03 de cache. O cache aqui repete o preço da entrada — não há economia adicional, mas o ponto de partida já é tão baixo que o efeito é marginal. Faz sentido para quem roda volume absurdo em infraestrutura própria ou via provedores compatíveis.
O Claude 3 Haiku é outra história. Lançado em março de 2024, cobra US$ 0,25 de entrada, US$ 1,25 de saída e US$ 0,03 de cache. Aqui o desconto é brutal: o cache custa 12% do preço da entrada e 2,4% do preço de saída. Para um chatbot que repete o mesmo system prompt em milhares de conversas, isso muda a conta no fim do mês.
| Modelo | Criador | Inteligência | Saída US$/M | Contexto |
|---|---|---|---|---|
| o3 | openai | 31.1 | 8 | 200k |
| Claude Haiku 4.5 | anthropic | 29.9 | 5 | 200k |
| gpt-oss-20b | openai | 15.2 | 0.13 | 131k |
| Qwen3 Next 80B A3B Instruct | qwen | 13.8 | 1.1 | 262k |
| Nova Premier 1.0 | amazon | 12.7 | 12.5 | 1M |
| Mistral Large | mistralai | — | 6 | 128k |
| Claude 3 Haiku | anthropic | — | 1.25 | 200k |
| Mixtral 8x22B Instruct | mistralai | — | 6 | 66k |
A fronteira inteligente: Haiku 4.5 e o3
A pergunta que importa para quem paga a conta é: e nos modelos que realmente entregam raciocínio de ponta? O Claude Haiku 4.5, lançado em 15 de outubro de 2025, cobra US$ 1,00 de entrada, US$ 5,00 de saída e US$ 0,10 de cache. O cache representa 10% do preço de entrada — um desconto agressivo para um modelo com índice de inteligência de 29,892, o segundo do recorte. Já o OpenAI o3, topo do catálogo com 31,096, cobra US$ 2,00 de entrada, US$ 8,00 de saída e US$ 0,50 de cache. O desconto existe, mas é proporcionalmente menor: 25% do preço de entrada.
| Modelo | Inteligência | Saída US$/M |
|---|---|---|
| o3 | 31.1 | 8 |
| Claude Haiku 4.5 | 29.9 | 5 |
| gpt-oss-120b | 24.1 | 0.17 |
| Qwen3 Next 80B A3B Thinking | 16.9 | 1.2 |
| gpt-oss-20b | 15.2 | 0.13 |
Para quem cada caso faz sentido
Se você roda um agente que repete 100 mil tokens de contexto a cada chamada, a conta muda de signo dependendo do modelo. No o3, o cache a US$ 0,50 por milhão ainda é mais barato que os US$ 2,00 da entrada — e a diferença se acumula rápido em produção. No Haiku 4.5, a economia é ainda mais generosa em termos percentuais. Já no Llama 3.3, não há motivo para se preocupar com cache: o desconto é zero, e o modelo só vale pelo ecossistema aberto.
O recorte mostra um padrão claro: cache não é um benefício universal, é uma escolha comercial de cada provedor. Antes de montar a arquitetura em cima de um modelo, vale cruzar o preço de cache com o seu padrão real de requisições — porque a diferença entre o mais barato e o mais caro do recorte é de quase 25 vezes, e essa é a variável que ninguém te conta no release.
Antes de escolher modelo pelo preço de saída, simule seu padrão de requisições com o preço de cache: a economia real pode estar em outro lugar da tabela
Perguntas frequentes
O que é cache de prompt e quando vale a pena?
É o desconto que o provedor aplica quando você repete o mesmo bloco de texto (system prompt, base de conhecimento) em várias chamadas. Vale a pena quando o volume de tokens repetidos é grande e o modelo cobra cache significativamente mais barato que a entrada — como no Claude 3 Haiku e no Haiku 4.5.
Por que o Llama 3.3 70B cobra o mesmo preço de cache e de entrada?
O catálogo lista os três campos (entrada, saída, cache) a US$ 0,71 por milhão de tokens. Não há desconto embutido: usar ou não usar o recurso de cache dá no mesmo na fatura.
Quantos modelos do catálogo oferecem preço de cache explícito?
Dos 270 modelos listados, 113 publicam um valor de cache — pouco menos da metade. Nos demais, ou o recurso não existe ou o provedor não divulgou o preço.