MiMo-V2-Pro custa 50% mais que o Omni sem publicar IQ
Modelo agentic da Xiaomi entra no catálogo há 21 dias com 1 trilhão de parâmetros e contexto de 1 milhão — mas sem nota de inteligência publicada
Um trilhão de parâmetros. Um milhão de tokens de contexto. Otimização declarada para agentes. O MiMo-V2-Pro da Xiaomi chega ao catálogo com tudo isso no release — e nada publicado na régua que o comprador costuma abrir antes de gastar.
O que chegou ao catálogo
A descrição do modelo entrega o que sobra no papel: mais de 1 trilhão de parâmetros totais, contexto de 1 milhão de tokens e foco declarado em cenários agentic, com adaptação a frameworks gerais de agentes. É o flagship declarado da Xiaomi, lançado em 18 de março. Em um catálogo com 54 criadores e 33 modelos novos nos últimos 30 dias, a proposta comercial agressiva — US$ 1 de entrada, US$ 0,2 com cache e US$ 3 de saída — funciona como anzol em meio ao barulho. O cache, aliás, é cinco vezes mais barato que a entrada: sinal de que o Pro foi pensado para prompts longos reenviados, o que combina com a janela de 1M tokens. O problema continua sendo o que vem depois da fisgada.
| Campo | Valor |
|---|---|
| Identificador | xiaomi/mimo-v2-pro |
| Criador | xiaomi |
| Preço de entrada | US$ 1.00 / M tokens |
| Preço de saída | US$ 3.00 / M tokens |
| Janela de contexto | 1.05M |
| Modalidade | text->text |
| Leitura de cache | US$ 0.200 / M (80% de desconto) |
O problema da régua vazia
Na régua atual do catálogo, os cinco modelos mais bem pontuados são Google Gemini 3.1 Pro Preview (IQ 47,7), OpenAI GPT-5.3-Codex (45,5), o próprio Xiaomi MiMo-V2-Omni (35,8), Anthropic Claude Sonnet 4.6 (35,1) e Qwen3.5 397B (34,2). O MiMo-V2-Pro não tem IQ publicado — nem coding, nem agentic, nem blended. Não dá para afirmar se ele está acima ou abaixo do irmão Omni de US$ 2 por saída, e a régua não ajuda a separar marketing de entrega. Quando um flagship chega sem benchmark, o que sobra é fé no criador. Para um catálogo com mais de 390 modelos, isso é alerta, não atalho.
A conta contra os próprios vizinhos
O MiMo-V2-Omni, da mesma Xiaomi, custa US$ 2 por milhão de tokens de saída. O Pro custa US$ 3 — 50% mais caro — e o catálogo não publica nada que justifique o prêmio. Sem nota de IQ, o leitor não consegue nem confirmar se o Pro supera o Omni em qualquer eixo mensurável. Quando você olha para cima, a conversa muda. Os únicos dois modelos com IQ acima de 45 custam US$ 12 (Gemini 3.1 Pro Preview) e US$ 14 (GPT-5.3-Codex) por saída — quatro a cinco vezes mais. Claude Sonnet 4.6, em IQ 35,1, sai por US$ 15. O Pro se posiciona, portanto, num meio termo de preço e num limbo de evidência.
| Modelo | Inteligência | Saída US$/M |
|---|---|---|
| Gemini 3.1 Pro Preview | 47.7 | 12 |
| GPT-5.3-Codex | 45.5 | 14 |
| MiMo-V2-Omni | 35.9 | 2 |
| Claude Sonnet 4.6 | 35.1 | 15 |
| Qwen3.5 397B A17B | 34.3 | 3.5 |
Para quem vale — e para quem não vale
Vale se você já roda agentes em produção na stack Xiaomi e quer testar o flagship antes da régua chegar. Vale também entender o que está em jogo: um modelo agentic decide sozinho quais ferramentas chamar, em que ordem, e revisa o próprio trabalho antes de devolver — é exatamente esse trabalho que o Pro declara otimizar. Não vale se a sua decisão passa por IQ ou benchmark de coding — porque essa régua, hoje, não existe para o Pro. Para um CTO com fatura de API no fim do mês, a escolha racional imediata é simples: enquanto o catálogo não publicar IQ do MiMo-V2-Pro, o Omni da própria Xiaomi, a US$ 2 de saída com IQ 35,8 mensurado, entrega mais informação pelo mesmo contexto de 1M tokens.
O que fazer com isso na segunda-feira
Três caminhos práticos, dependendo do seu perfil. Primeiro: se você roda agentes em produção e pode se dar ao luxo de testar antes de comprar, ponha o Pro num A/B fechado contra o Omni e meça latência, custo e qualidade da tarefa agentic específica que você já tem instrumentada. Segundo: se o caso é agentic geral sem amarração de fornecedor, o Omni entrega a mesma janela de 1M tokens por 33% menos. Terceiro: se a régua é inegociável, volte para o Gemini 3.1 Pro Preview e aceite pagar quatro vezes mais em troca de IQ 47,7 medido. Sem benchmark publicado, o MiMo-V2-Pro é uma promessa com etiqueta de preço — não um resultado.
Sem régua publicada, escolha o MiMo-V2-Omni pelo mesmo contexto de 1M tokens a US$ 2 por saída — e só teste o Pro se a nota de IQ não fizer diferença no seu caso.
Perguntas frequentes
MiMo-V2-Pro tem benchmark publicado no catálogo?
Não. Os campos IQ, coding, agentic e blended estão vazios no catálogo nesta data. Só a descrição e o preço estão disponíveis, o que impede comparação direta com outros modelos até a Xiaomi publicar a régua.
Quanto custa o MiMo-V2-Pro comparado ao MiMo-V2-Omni?
O Pro sai por US$ 3 por milhão de tokens de saída, contra US$ 2 do Omni — um prêmio de 50% sem métrica publicada que o sustente. Para entrada, ambos custam US$ 1 por milhão; o cache do Pro fica em US$ 0,2.
Vale trocar Claude Sonnet 4.6 pelo MiMo-V2-Pro?
Não como troca direta: Claude tem IQ 35,1 publicado a US$ 15 por saída; o Pro está a US$ 3, mas sem régua. Vale testar para fluxos agentic se você já roda a stack Xiaomi; não vale como substituto baseado em evidência.